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  • Trailer Abel Contra o Muro

  • O que?


    A turnê de Abel contra o muro percorrerá 8 cidades do estado de São Paulo, promovendo debates com o diretor e o produtor do filme, venda de produtos relacionados ao filme e a DF5. A turnê acontecerá entre os dias 12 e 20 de setembro.

    Produzido integralmente em Bauru, no interior do estado de São Paulo, o média metragem Abel contra o muro chama atenção pelo trabalho colaborativo realizado. O filme fez a junção de várias produtoras, grupos culturais da cidade e estudantes de diferentes cursos incentivando assim a atividade audiovisual local. A partir do Congresso, o processo colaborativo adere cidades que se prontificam a exibir o média e a criar um ambiente pós-sessão com debate sobre a produção e a distribuição do cinema independente nacional. A turnê servirá para aproximar os realizadores do público presente, fomentando a produção autoral no estado de São Paulo e também em outros estados, por meio da divulgação online, por todos os pontos da rede Fora do Eixo.

    CONFIRA AQUI O RELEASE DA TURNÊ
  • Apanhado da Turnê, por Alexandre Borges

    Termina a turnê ABEL CONTRA O MURO, que não foi somente uma turnê e sim o termino de um processo que se iniciou a mais de um ano atrás quando eu escutava IAN TERSEN e pensava em pedaços soltos de uma história que ainda não existia, baseando-me apenas nas musicas do artista francês.Naquela época eu nunca imaginava que isso tudo fosse acontecer, eu simplesmente queria fazer algo mais do que um TCC, queria fazer filme em BAURU.

    Engraçado como as coisas podem seguir em frente se você tem vontade e tem as pessoas certas do seu lado. O projeto não teria chegado nem perto do que chegou sem o brother João Perussi. Foi ele quem caiu de cabeça, deu a raça, não dormiu, acreditou nas minhas idéias e possibilitou a criação do imaginário em real, em algo que existe não mais só para mim ou para ele. Já li algumas vezes em livros de cinema “ FAÇA PARCEIRIAS DE SUSSESSO” e isso não vale apenas para mim e João ( e sim toda a equipe).

    Impressionante como as pessoas se entregam a uma idéia quando ela tem uma alma e um objetivo coletivo, algo que não seja individual e sirva sim para o crescimento de todos, algo que venha do coração e não seja um trabalho qualquer, por assim dizer. Toda a equipe, parceiros e Jardim Nicéia acreditaram em mim e João e fiquei realmente lisonjeado com isso e com certeza trabalharemos juntos outra vez.

    No início da criação muitas viagens de carro ou ônibus foram usadas para fritar na idéia do roteiro e tentar criar algo vivo. Depois do roteiro, muitas dias de sol a pino foram usados para gravar o filme com toda a equipe. Na etapa final muitas noites a base de café serviram para terminar a pós-produção a tempo das exibições já marcadas, e todo esse esforço mutuo se resumiu nas exibições do filme. Foram as 1000 pessoas que já assistiram o filme que deram sentido a tudo isso. O filme agora já não existe somente em meu imaginário, mas em pelo menos 1000 cabeças diferentes e isso é o incrível de tudo isso. A essência do filme acontece na exibição e é o fato das pessoas verem e comentarem que faz o filme existir de verdade.

    Já estava bastante cansado depois de todo o processo de terminar o filme, 2 dias sem dormir foram necessários para terminar o DVD a tempo de levar para distribuir na turnê FORA DO EIXO, mais um grande parceiro. A Turnê começou e os bravos companheiros GRINGA, HIRO e CESTA acompanharam a mim e Joao nessa empreitada. Meus objetivos? Divulgar o filme, fazer com que o maior numero de pessoas assistissem, falar sobre cinema, realização, financiamento, produção e distribuição.

    O único coletivo que conhecia as pessoas de verdade era o ENXAME em Bauru. Engraçado perceber as peculiaridades de cada coletivo e os motivos que os fazer começar o processo. Em cada exibição tínhamos um acolhimento diferenciado e percebíamos diferentes pessoas tentando fazer algo em comum, nesse caso, cinema.
    Em cada cidade o publico também mudava, o que deixava a turnê cada vez mais excitante. Eram estudantes universitários e colaboradores em um local, crianças da periferia em outro, crianças do campo, adultos que gostavam de cinema, estudantes do ensino técnico, etc...

    É interessante também ver como nós, membros da equipe da turnê, evoluímos em um curto espaço de tempo. Ao inicio da turnê, por mais que as discussões aconteciam e eram produtivas, o nível de aprofundamento as vezes não era muito alto. As vezes após o filme, por mais que tentássemos promover o dabate acabávamos mais expondo idéias do que escutando. Com o tempo nosso discurso foi ficando mais fluente, fomos aprendendo escolher o que falar ao mesmo tempo que nos prendíamos em nosso discurso.

    Quando isso mudou? Acredito que foi em ITU. Porque?? Porque quando após a sessão íamos começar nosso discurso pronto outra vez, o pessoal do RODA TORTA disse simplesmente para sentarmos em roda.. diferentemente de como fazíamos em pé na frente de todos sentados. Incrível como nosso iconciente capta o que os gestos significam, diferentemente do que nosso olhar vê, já dizia ALEJANDRO JODOROWSKY com sua PSICOMAGIA.

    Esse foi o primeiro dia que a discussão aconteceu em torno da temática do filme e não sobre como fazer filmes. Falamos sobre DIREITO A LIBERDADE por 2 horas e o tempo passou muito rápido. Pessoas falavam sem exitar, diferentes opiniões foram expostas e percebi que agumas pessoas queriam desabafar algo jê fazia um tempo, e ali conseguiram. Maravilhoso! Nós estávamos ali! Promovendo aquele debate sem a mediação de algum professor ou alguém do tipo.

    Isso nos fez refletir sobre o aprendizado tradicional e moral que temos, na escola, sentados todos de frente para o professor, sem ver os rostos dos companheiros e sem expor as idéias na maioria dos casos. Essa é a educação MORAL que levamos, onde nossa capacidade é medida através de nossas conquistas.. Se fizermos algo melhor do que os outros recebemos um premio, se fizermos pior ( como a nota em uma prova) recebemos um castigo/punição...

    Não seria melhor uma educação ética?? Onde aprenderíamos a valorizar nossas atitudes não pelo quanto nos sobressaltamos ou o quanto acumulamos, mas sim através do respeito ao prossimo, do entendimento das diferenças, qualidades e do espaço coletivo? Das grandiosidades que cada um tem a oferecer ao grupo? Ao ser humano como um todo?

    O apredizado e a reflexão foram levados para a última sessão do filme que foi em nada mais, nada menos do que no antigo presídio CARANDIRU. O teste foi feito, sentamos na mesma altura dos alunos e nos aproximamos mais deles, e pronto! A conversa rolou solta.! Eles realmente são parte do futuro do Brasil, estão em um ambiente com uma história marcada pela violência e confinamento, e mesmo assim exalaram interesse por coisas novas, por liberdade, por fazer a diferença e por fazer parte de um grupo. Não houve melhor maneira de terminar esse processo que para mim durou mais que um ano.

    Aprendi muitas coisas nessa turnê do FORA DO EIXO e aqui vai meu cometário:

    A arte tem sim o poder da libertação, emancipação e criação de um imaginário positivo do ser humano. As dificuldades para não fazer da arte mais um produto do mercado existem, mas existem também pessoas que querem fazer a diferença em um número cada vez maior.

    Aprendi que a arte do cinema só se concretiza na sua exibição e, após existir nas exibições e na mente de cada um, a sétima arte só faz maior sentido se debatido, discutido, aplaudido ou criticado. Assim como a cultura em geral, o cinema pode e deve ser usado como transformador social, ele é uma arma muito forte e repleta de signos que podem ser resignificados a cada olhar. E isso contribui para criar diversidade nos olhares e experiências pessoais.

    Percebi que buscar a liberdade é um ideal que sempre buscaremos até sermos livres de nós mesmos. Nossas escolhas, apesar de influenciadas pelo social e pelo genético devem ser compreendidas como livres quando transcenderem a individualidade e alcançarem o bem comum. E isso acontecerá quando a nossa percepção do todo e da coletividade, não somente do ser humano mas sim em uma visão holística da existência, for perceptível para o ser humano.

    Lembrando que tudo é um eterno processo e inclusive essas idéias que tenho agora estão em constante mutação. A verdade absoluta pode trazer a guerra e temos que entender as realidades e verdades pessoais para respeitar o grupo. Para idéias diferentes existe sempre o diálogo.

    Acredito que depois desse trabalho eu abri mais os olhos para as possibilidades de mudança. Nosso país anseia por melhoras, o povo tem a capacidade e quer evoluir, e então?? O que nos resta fazer??

    Um grande abraço a todos que passaram pela história do ABEL CONTRA O MURO.

    Obrigado.
  • 8ª Parada em Itu, por Laís Bellini (Ou Gringa!)

    Quarta foi dia das novidades. Saímos de São Paulo rumo a Itu. Conhecemos o Coletivo Roda Torta. Eles estão conhecendo a rede agora. Pouca experiência com o Circuito, mas muita vontade de fazer. Várias bandas que se uniram para fazer acontecer. Depois de conhecermos alguns integrantes e a geléia de morando da mãe do Allan, seguimos para uma Biblioteca Comunitária que existe na cidade.

    O friozinho tomava conta da cidade, nenhum clima mostrou-se mais agradável que aquele para juntar uma galera e ver um filme. Já me surpreendeu entrar na Biblioteca: uma sala cheia de livros, uma banquinha lotada de revistas, as mais diversas e que o interior gosta de falar que só tem na capital. A biblioteca comunitária concentrava ali diversas fontes de conhecimento. E é muito frequentada, bastante gente circulando.

    O cineclube 'Brad Will' já está consolidado. (Aliás, quem ainda não viu o doc sobre ele, dá uma procurada na internet, merece ser visto) A parceria entre o recém Roda Torta e a Biblioteca propõem que Itu é forte na Literatura, no Cinema e tem cabeças impressionantes ali. Foi o primeiro debate em que se propôs uma roda de conversa. Empurramos as cadeiras para trás de maneira que podíamos olhar para todos que estavam falando. E todos falaram. O tema? Liberdade. O filme atingiu os olhares políticos, as lutas sociais, os questionamentos individuais, conflitos existencialistas e reflexões sobre a força do capital gerindo o social. E a qual conclusão chegamos? Basicamente que é preciso coletivizar.

    Liberdade e coletivo. Não seremos livres se formos individualistas. É isso que ficou, e gerou mais conversa ainda. A pizza artesanal pós-debate estimulou mais mentes a se abrirem. Estamos abertos, queremos ouvir e queremos falar, é esse o recado que deixaram.

    A extensão da turnê não parou na cidade do grande orelhão. Voltamos a São Paulo no dia seguinte. Terminamos a turnê passando o filme dentro do antigo Carandiru. Hoje, o espaço é contemplado por uma ETEC: Parque da Juventude. No prédio das Artes, uma mistura de música, fotografias, e cores em meio a um prédio que, inevitavelmente, trazia lembranças a qualquer um que já ouviu falar do massacre dos 111 presos dali. Dentro do prédio, um olhar para cima que mantem a visão dos presidiários, mas que hoje traz outros símbolos, uma visão mais positiva do espaço, que traz a possibilidade de mudança de vida e não de que ela parou. Nada mais justo que um debate naquele lugar sobre o que é ser livre e o que é fazer arte.

    Fechamos ali, dentro dos muros do que um dia foi uma prisão, que colocava vários Abels contra os muros (não debato aqui justiça ou injustiça) e que o tema liberdade palpitava nas mentes dos que por diversos motivos, não tinham a permissão de serem livres. E é preciso permissão? Sejamos livres, em nossos espaços e nos espaços seus, não nos individualizemos, isso nos bloqueia. Busquemos coletivizar opiniões e ações.

    E depois de 7 horas de viagem, saindo de São Paulo, passando por São Carlos, Bauru piscava pelas placas que diminuíam os dígitos da quilometragem distante. Foi ficando perto e mais perto. Por fim, chegamos.

    O que fica pra mim é que a Turnê serviu para estimular o encontro das pessoas, a aproximação, por diversos motivos. Cada canto com o seu, uns querendo falar das técnicas de filmagens, outros querendo questionar os motivos sociais do projeto, outros falando de distribuição e circulação e outros, ainda, em debates existencialistas, sobre o que é sentir-se livre. Assim como as bandas recebem a reação de diversos públicos, o Cinema pôde sentir seu público. A aproximação entre realizador e público mostrou-se primordial. Os cineclubes tem que crescer, devem ser estimulados e deve-se fomentar a criação de novos. A rede de circulação de filmes independentes é essa. Vamos utilizá-la. Nenhum retorno é mais positivo que sentir a reação de diferentes públicos diante de seu filme na tela.

    Continuemos. O Cinema nacional precisa.
    A alternativa é a resposta.
    Dá pra fazer, dá pra circular, dá pra viver fazendo isso.


    #TurneAbel
    Siga.


    Veja aqui o diário de bordo da turnê
  • 8ª Parada em São Paulo, por João Perussi

    Bom dia CDC!

    Seguinte, na última quarta-feira dia 21/09 realizamos a sessão na biblioteca comunitária de Itu. Contabilizamos cerca de 50 pessoas no local, que além de assistirem O homem do buraco e Abel contra o muro, realizaram um debate fantástico. A galera do coletivo Roda Torta apesar de estarem começando, já estão se articulando muito bem, e conseguiram em parceria com a galera do Cineclube Brad Will de Itu, realizar uma sessão muito massa, seguida de um debate fantástico que ultrapassou as questões técnicas de se produzir cinema, e chegou a temas como existencialimo e o verdadeiro conceito de liberdade.
    Foi legal também para eles saquerem legal como funciona o circuito e como a #TurnêAbel se desenvolveu.

    Já no dia seguinte dia 22/09 quinta-feira, via nosso parceiro da tour, Observatório de Educação em Direitos Humanos da UNESP, exibimos o Abel no Parque da Juventudade, na ETEC de Artes, no antigo complexo do carandiru.
    Na verdade, foi um dia emocionante, porque pudemos debater sobre liberdade em um lugar que sempre representou o oposto disso.
    E os jovens que desenvolvem lá atividades como dança contemporânea, música e pintura, pararam para discutir cinema, processos de produção cultural, FDE, DF5.. enfim. foi uma tarde muito bacana mesmo, e conseguiu fechar com chave de ouro.

    Na verdade, só gostaria de agradecer imensamente todas as pessoas que se envolveram nesse projeto e acreditaram demais no nosso filme. Agradecer todas as articulações e horas de trampo doados em prol dessa #TurnêAbel acontecer.

    Muito obrigado a todos coletivos e casas que nos receberam, a todas pessoas que nos receberam, a todas as pessoas que tiveram a oportunidade de assistir ao filme, a todos membros da equipe que fizeram este filme acontecer, enfim a todos mesmo que fazem parte do Projeto Abel Contra o Muro.
    Foi um aprendizado incrível, e foi algo que foi se construindo dia-dia, pedágio a pedágio, na estrada em diversas discussões, enfim foi incrível.

    Obrigado Laís Bellini, por cuidar de nossa sustentabilidade e nos ajudar a organizar financeiramente toda essa viagem, obrigado Hiro por nos orientar e nos ajudar a debater, conhecer o rolê, as pessoas e nos envolver mais com a rede, obrigado Cestari por estar sempre atento filmando, editando e registrando tudo que estava acontecendo, você realmente é um cidadão multimídia. Obrigado Alexande B. Borges, pelo convite e pela oportunidade de estar realizando este trabalho com vc, obrigado por acreditar no meu trampo!
    Obrigado a todos que nos ajudaram demais!!
    Essa tour foi desbravadora, e com certeza contribuiu para gerar um estímulo de novos realizadores, quanto para os espectadores que puderam conhecer uma nova forma de encarar o cinema, como uma ferramenta de discussão e reflexão, muito além do entretenimento caro dos cinemas de shopping.

    Valeu demais CDC!! vcs são foda.
    Abraços João Perussi.

    Veja aqui o diário de bordo da turnê
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